Rui Barbosa, nasceu em 05 de
novembro de 1849. Advogado, jornalista, jurista, político, diplomata, ensaísta
e orador.
Rui
Barbosa, nasceu em 05 de novembro de 1849. Advogado, jornalista, jurista,
político, diplomata, ensaísta e orador. Rui Barbosa de Oliveira, nasceu em
Salvador, BA. Seu pai, João Barbosa de
Oliveira, dirigiu a Instrução Pública de sua Província, atento aos problemas da
educação e da cultura, teve muita influência na formação do filho. Era tradição
da época, formar-se na Faculdade de Direito de São Paulo. Já no segundo ano,
tornou-se um jornalista conhecido. Formou-se em 1870, e no Rio de Janeiro,
dedicou-se, como causa inicial a abolição da escravatura. Casou-se com
Maria Augusta Viana Bandeira em 23 de novembro de 1876, em Salvador e tiveram
cinco filhos. Foi deputado provincial, e com Joaquim
Nabuco, defendeu o sistema federativo. Quando proclamada a República, foi
Ministro da Fazenda do Governo Provisório, e a pasta da Justiça. A Primeira
Bandeira Republicana, foi criada por Ruy Barbosa, e usada entre 15 e 19 de novembro
de 1889. Em 1890, D. Pedro II diz: "Nas trevas que caíram sobre o
Brasil, a única luz que alumia, no fundo da nave, é o talento de Ruy
Barbosa". Lança os decretos de reforma bancária, no qual foi
criticado por Ramiro Barcelos, que, anos depois, se penitenciou afirmando:
"A desgraça da República foi nós, os históricos, não termos compreendido
logo a grandeza de Ruy". Senador
pela Bahia à Assembleia Constituinte, apresentou propostas para reformas, e do modelo da Carta de 24 de
fevereiro de 1891. Discordou de Floriano Peixoto, face ao golpe para assumir o
governo, sendo obrigado a se exilar dois anos depois, na Argentina, Portugal e
Inglaterra. Retornou ao Brasil em 1895, assumindo sua cadeira no Senado, onde
foi reeleito até a sua morte em 1923. Deu redação ao Código Civil. Escreveu, o
seu “Parecer”, que acabaria em polêmica. Sua Réplica ficou famosa.
A imprensa e a opinião pública lançaram seu nome, preterindo o de Joaquim
Nabuco, indicado pelo Barão de Rio Branco para a Conferência da Paz, em Haia. Nabuco
recusou e se dispôs a ajudar Rui Barbosa, cuja ação diplomática até então não fora
empenhada por nenhum país da América Latina. E Rui Barbosa desempenhou-se
magnificamente bem, debruçando-se sobre o princípio da igualdade jurídica das
nações soberanas, enfrentando preconceitos das grandes potências. Nomeado
Presidente de Honra da Primeira Comissão, foi incluído aos nomes do Barão
Marshall, Nelidoff, Choate, Kapos Meye, Léon Bourgeois e o Conde Tornielli, chamados
de os “Sete Sábios de Haia”. De volta ao Brasil, por sua
atuação, recebeu do Barão do Rio Branco o epíteto de
"O Águia de Haia”. Se opôs à candidatura do Marechal
Hermes da Fonseca, e lançou-se em sua Campanha Civilista, que repercutiu em
todo o país. Em 1913, fundou o Partido Liberal. Durante a I Guerra Mundial,
tomou o partido dos aliados e produziu discursos lapidares contra à tirania e
ao imperialismo, e combateu o estado de sítio, numa série de discursos no
Senado. Em 1916, nas festas centenárias da Independência argentina, foi nomeado
embaixador especial e deixou sua marca indelével na conferência sobre as “Modernas
concepções do Direito Internacional”, definindo os deveres dos países neutros. No
seu jubileu cívico, em 1918, o mundo inteiro o consagra. Recusa o convite do
Presidente Rodrigues Alves para representar o país na Conferência da Paz de
Versalhes, expondo em famosa carta, as razões da incompatibilidade. Recusou a
representação do Brasil na Liga das Nações. Ruy Barbosa foi lançado
quatros vezes candidato a Presidente do Brasil, em uma das vezes alcançou o
quarto lugar, das outras recusou ou desistiu. Na realidade se desencantou com o
sistema político que ajudou a implementar, realizando vários comentários
antirrepublicanos em seus últimos anos de vida. Foi paraninfo dos
bacharelandos de São Paulo, quando do seu jubileu jurídico. Escreveu e proferiu
a “Oração aos moços”. Em 1921, o mais votado, eleito juiz da Corte
Internacional de Justiça, e recebeu inúmeras e significativas homenagens do
Brasil e do mundo. Já no final de sua vida, foi indicado para ser juiz
do Tribunal Mundial, um cargo de enorme prestígio, que recusou. Contrariado
por ver que os princípios pelos quais lutara e que consagraram a sua vida,
estavam sendo relegados pela situação política na época, com a intervenção
militar de Epitácio, Ruy Barbosa considerava-se um "corpo estranho"
na política, e proferiu o último discurso no Senado. Em julho de
1922, sofre um grave edema pulmonar, e em fevereiro de 1923, sofre
uma paralisia bulbar e diz a seu médico: "Doutor, não há mais nada a
fazer". A 1º de março de 1923, falece "O Maior Brasileiro da
História", em Petrópolis, aos 73 anos de idade Suas últimas palavras:
"Deus, tende compaixão de meus padecimentos”. Ruy fez seu testamento
político na fórmula de um epitáfio, que ele mesmo escreveu para sua pedra
funerária: Estremeceu a Justiça; viveu no Trabalho; e não perdeu o Ideal. Seu
corpo foi sepultado em um grande mausoléu da família, no Cemitério
São João Batista e repousou ali até 1949. Nas comemorações de seu centenário de
nascimento, seus restos mortais foram exumados e trasladados para a cidade de
Salvador, onde se encontram até hoje. A notícia do seu falecimento, foi
comentada no mundo inteiro. O Times, de Londres, dedicou-lhe um
espaço nunca antes concedido a qualquer estrangeiro. Rui Barbosa foi membro
fundador, escolheu Evaristo da Veiga como patrono da cadeira nº. 10 da Academia
Brasileira de Letras e seu presidente entre 1908 e 1919. Questionador,
questionou se teria sido um escritor por ocasião do seu jubileu cívico, e
destacou as que poderiam ser consideradas literárias: o elogio de Castro Alves,
a oração do centenário de O Marquês de Pombal, o ensaio sobre Swift, a crítica
do livro de Balfour, incluída nas Cartas de Inglaterra, o
discurso do Liceu de Artes e Ofícios sobre o desenho aplicado à arte
industrial, o discurso do Colégio Anchieta, o discurso do Instituto dos
Advogados, o Parecer e a Réplica acerca do Código Civil, as
traduções de poemas de Leopardi e das Lições de coisas de
Calkins, e alguns artigos esparsos de jornais. Mas, os discursos que proferiu nos últimos cinco anos de vida, produção
jornalística puramente literária, a qual se referiu genericamente como “alguns
artigos esparsos de jornais”, na realidade daria graciosos volumes.
Obras:
Visita à
Terra Natal
Figuras
Brasileiras
Contra o
Militarismo
Correspondência
de Ruy
Mocidade
e Exílio
Castro
Alves: Elogio do Poeta pelos Escravos, 1881
O Papa e
o Concílio, 1877
O Anno
Político de 1887
Relatório
do Ministro da Fazenda, 1891
Finanças
e Políticas da República: Discursos e Escritos,1893
Os Atos
Inconstitucionais do Congresso e do Executivo ante a Justiça Federal, 1893
Cartas de
Inglaterra, 1896
Anistia
Inversa: Caso de Teratologia Jurídica, 1896
Posse dos
Direitos Pessoais, 1900
O Código
Civil Brasileiro, 1904
Discurso,
1904
O Acre Septentrional,
1906
Actes et
discours, 1907
O Brasil
e as Nações Latino Americanas na Haia, 1908
O Direito
do Amazonas ao Acre Septentrional, 1910
Excursão
Eleitoral aos Estados da Bahia e Minas Gerais: Manifestos à Nação, 1910
Plataforma,
1910
Ruy
Barbosa na Bahia, 1910
O Dever
do Advogado, 1911
O Sr. Ruy
Barbosa, no Senado, resposta a Pinheiro Machado, 1915
Problemas
de Direito Internacional, 1916
Conferência.
Londres, 1917
Oswaldo
Cruz, 1917
Oração
dos Moços, 1920
Os
documentos do arquivo pessoal do Ruy Barbosa está custodiado pelo Serviço de
Arquivo Histórico e Institucional da Fundação Casa de Rui Barbosa.
Homenagens:
Moeda de 20
centavos de cruzeiro 1953
Efigie em
nota de Cr$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros) 1984/1986
Homenagem
filatélica pelo correio em 1964
Células
de Cr$ 10,00 (dez cruzados) 1986
Frases:
“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto
ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver
agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da
virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”
“A liberdade não é um luxo dos tempos de
bonança; é, sobretudo, o maior elemento de estabilidade das instituições.”
“Maior que a tristeza de não haver vencido é
a vergonha de não ter lutado!”
“A
força do direito deve superar o direito da força.”
“Não
se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem.”
“A degeneração de um povo, de uma nação
ou raça, começa pelo desvirtuamento da própria língua.”
“As leis são um freio para os crimes públicos - a
religião para os crimes secretos”
“A justiça atrasada não é justiça; senão
injustiça qualificada e manifesta.”
“O homem que não luta pelos seus direitos não merece viver.”
“Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada.”
“A justiça pode irritar porque é precária. A verdade não se impacienta
porque é eterna.”
“Não é a terra que constitui a riqueza das nações, e ninguém se
convence de que a educação não tem preço”.
“Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus
soldados, engana-se a si mesma e prepara a sua própria queda.”
“O Exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não pode passar um
minuto sem estar preparado.”
“A injustiça, por ínfima que seja a criatura
vitimada, revolta-me, transmuda-me, incendeia-me, roubando-me a tranquilidade e
a estima pela vida.”
“A morte não extingue, transforma; não aniquila, renova; não divorcia,
aproxima.”
“Se querer é poder, querer é vencer.”
“Quanto maior o bem, maior o mal que da sua inversão procede.”
“A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade.”

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