terça-feira, 5 de novembro de 2019

Rui Barbosa


Rui Barbosa, nasceu em 05 de novembro de 1849. Advogado, jornalista, jurista, político, diplomata, ensaísta e orador.

Rui Barbosa, nasceu em 05 de novembro de 1849. Advogado, jornalista, jurista, político, diplomata, ensaísta e orador. Rui Barbosa de Oliveira, nasceu em Salvador, BA.  Seu pai, João Barbosa de Oliveira, dirigiu a Instrução Pública de sua Província, atento aos problemas da educação e da cultura, teve muita influência na formação do filho. Era tradição da época, formar-se na Faculdade de Direito de São Paulo. Já no segundo ano, tornou-se um jornalista conhecido. Formou-se em 1870, e no Rio de Janeiro, dedicou-se, como causa inicial a abolição da escravatura. Casou-se com Maria Augusta Viana Bandeira em 23 de novembro de 1876, em Salvador e tiveram cinco filhos. Foi deputado provincial, e com Joaquim Nabuco, defendeu o sistema federativo. Quando proclamada a República, foi Ministro da Fazenda do Governo Provisório, e a pasta da Justiça. A Primeira Bandeira Republicana, foi criada por Ruy Barbosa, e usada entre 15 e 19 de novembro de 1889. Em 1890, D. Pedro II diz: "Nas trevas que caíram sobre o Brasil, a única luz que alumia, no fundo da nave, é o talento de Ruy Barbosa". Lança os decretos de reforma bancária, no qual foi criticado por Ramiro Barcelos, que, anos depois, se penitenciou afirmando: "A desgraça da República foi nós, os históricos, não termos compreendido logo a grandeza de Ruy".  Senador pela Bahia à Assembleia Constituinte, apresentou propostas para  reformas, e do modelo da Carta de 24 de fevereiro de 1891. Discordou de Floriano Peixoto, face ao golpe para assumir o governo, sendo obrigado a se exilar dois anos depois, na Argentina, Portugal e Inglaterra. Retornou ao Brasil em 1895, assumindo sua cadeira no Senado, onde foi reeleito até a sua morte em 1923. Deu redação ao Código Civil. Escreveu, o seu “Parecer”, que acabaria em polêmica. Sua Réplica ficou famosa. A imprensa e a opinião pública lançaram seu nome, preterindo o de Joaquim Nabuco, indicado pelo Barão de Rio Branco para a Conferência da Paz, em Haia. Nabuco recusou e se dispôs a ajudar Rui Barbosa, cuja ação diplomática até então não fora empenhada por nenhum país da América Latina. E Rui Barbosa desempenhou-se magnificamente bem, debruçando-se sobre o princípio da igualdade jurídica das nações soberanas, enfrentando preconceitos das grandes potências. Nomeado Presidente de Honra da Primeira Comissão, foi incluído aos nomes do Barão Marshall, Nelidoff, Choate, Kapos Meye, Léon Bourgeois e o Conde Tornielli, chamados de os “Sete Sábios de Haia”. De volta ao Brasil, por sua atuação, recebeu do Barão do Rio Branco o epíteto de "O Águia de Haia”. Se opôs à candidatura do Marechal Hermes da Fonseca, e lançou-se em sua Campanha Civilista, que repercutiu em todo o país. Em 1913, fundou o Partido Liberal. Durante a I Guerra Mundial, tomou o partido dos aliados e produziu discursos lapidares contra à tirania e ao imperialismo, e combateu o estado de sítio, numa série de discursos no Senado. Em 1916, nas festas centenárias da Independência argentina, foi nomeado embaixador especial e deixou sua marca indelével na conferência sobre as “Modernas concepções do Direito Internacional”, definindo os deveres dos países neutros. No seu jubileu cívico, em 1918, o mundo inteiro o consagra. Recusa o convite do Presidente Rodrigues Alves para representar o país na Conferência da Paz de Versalhes, expondo em famosa carta, as razões da incompatibilidade. Recusou a representação do Brasil na Liga das Nações. Ruy Barbosa foi lançado quatros vezes candidato a Presidente do Brasil, em uma das vezes alcançou o quarto lugar, das outras recusou ou desistiu. Na realidade se desencantou com o sistema político que ajudou a implementar, realizando vários comentários antirrepublicanos em seus últimos anos de vida. Foi paraninfo dos bacharelandos de São Paulo, quando do seu jubileu jurídico. Escreveu e proferiu a “Oração aos moços”. Em 1921, o mais votado, eleito juiz da Corte Internacional de Justiça, e recebeu inúmeras e significativas homenagens do Brasil e do mundo. Já no final de sua vida, foi indicado para ser juiz do Tribunal Mundial, um cargo de enorme prestígio, que recusou. Contrariado por ver que os princípios pelos quais lutara e que consagraram a sua vida, estavam sendo relegados pela situação política na época, com a intervenção militar de Epitácio, Ruy Barbosa considerava-se um "corpo estranho" na política, e proferiu o último discurso no Senado. Em julho de 1922, sofre um grave edema pulmonar, e em fevereiro de 1923, sofre uma paralisia bulbar e diz a seu médico: "Doutor, não há mais nada a fazer". A 1º de março de 1923, falece "O Maior Brasileiro da História", em Petrópolis, aos 73 anos de idade Suas últimas palavras: "Deus, tende compaixão de meus padecimentos”. Ruy fez seu testamento político na fórmula de um epitáfio, que ele mesmo escreveu para sua pedra funerária: Estremeceu a Justiça; viveu no Trabalho; e não perdeu o Ideal. Seu corpo foi sepultado em um grande mausoléu da família, no Cemitério São João Batista e repousou ali até 1949. Nas comemorações de seu centenário de nascimento, seus restos mortais foram exumados e trasladados para a cidade de Salvador, onde se encontram até hoje. A notícia do seu falecimento, foi comentada no mundo inteiro. O Times, de Londres, dedicou-lhe um espaço nunca antes concedido a qualquer estrangeiro.  Rui Barbosa foi membro fundador, escolheu Evaristo da Veiga como patrono da cadeira nº. 10 da Academia Brasileira de Letras e seu presidente entre 1908 e 1919. Questionador, questionou se teria sido um escritor por ocasião do seu jubileu cívico, e destacou as que poderiam ser consideradas literárias: o elogio de Castro Alves, a oração do centenário de O Marquês de Pombal, o ensaio sobre Swift, a crítica do livro de Balfour, incluída nas Cartas de Inglaterra, o discurso do Liceu de Artes e Ofícios sobre o desenho aplicado à arte industrial, o discurso do Colégio Anchieta, o discurso do Instituto dos Advogados, o Parecer e a Réplica acerca do Código Civil, as traduções de poemas de Leopardi e das Lições de coisas de Calkins, e alguns artigos esparsos de jornais. Mas, os discursos que  proferiu nos últimos cinco anos de vida, produção jornalística puramente literária, a qual se referiu genericamente como “alguns artigos esparsos de jornais”, na realidade daria graciosos volumes.

Obras:
Visita à Terra Natal
Figuras Brasileiras
Contra o Militarismo
Correspondência de Ruy
Mocidade e Exílio
Castro Alves: Elogio do Poeta pelos Escravos, 1881
O Papa e o Concílio, 1877
O Anno Político de 1887
Relatório do Ministro da Fazenda, 1891
Finanças e Políticas da República: Discursos e Escritos,1893
Os Atos Inconstitucionais do Congresso e do Executivo ante a Justiça Federal, 1893
Cartas de Inglaterra, 1896
Anistia Inversa: Caso de Teratologia Jurídica, 1896
Posse dos Direitos Pessoais, 1900
O Código Civil Brasileiro, 1904
Discurso, 1904
O Acre Septentrional, 1906
Actes et discours, 1907
O Brasil e as Nações Latino Americanas na Haia, 1908
O Direito do Amazonas ao Acre Septentrional, 1910
Excursão Eleitoral aos Estados da Bahia e Minas Gerais: Manifestos à Nação, 1910
Plataforma, 1910
Ruy Barbosa na Bahia, 1910
O Dever do Advogado, 1911
O Sr. Ruy Barbosa, no Senado, resposta a Pinheiro Machado, 1915
Problemas de Direito Internacional, 1916
Conferência. Londres, 1917
Oswaldo Cruz, 1917
Oração dos Moços, 1920
Os documentos do arquivo pessoal do Ruy Barbosa está custodiado pelo Serviço de Arquivo Histórico e Institucional da Fundação Casa de Rui Barbosa. 

Homenagens:

Moeda de 20 centavos de cruzeiro 1953
Efigie em nota de Cr$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros) 1984/1986
Homenagem filatélica pelo correio em 1964
Células de Cr$ 10,00 (dez cruzados) 1986
Frases:

“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.

“A liberdade não é um luxo dos tempos de bonança; é, sobretudo, o maior elemento de estabilidade das instituições.

“Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado!
“A força do direito deve superar o direito da força.
“Não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem.
“A degeneração de um povo, de uma nação ou raça, começa pelo desvirtuamento da própria língua.”
“As leis são um freio para os crimes públicos - a religião para os crimes secretos
“A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e manifesta.”
“O homem que não luta pelos seus direitos não merece viver.
“Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada.
“A justiça pode irritar porque é precária. A verdade não se impacienta porque é eterna.
“Não é a terra que constitui a riqueza das nações, e ninguém se convence de que a educação não tem preço”.
“Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana-se a si mesma e prepara a sua própria queda.
“O Exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não pode passar um minuto sem estar preparado.
“A injustiça, por ínfima que seja a criatura vitimada, revolta-me, transmuda-me, incendeia-me, roubando-me a tranquilidade e a estima pela vida.
“A morte não extingue, transforma; não aniquila, renova; não divorcia, aproxima.
Se querer é poder, querer é vencer.
“Quanto maior o bem, maior o mal que da sua inversão procede.
“A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade.


Nenhum comentário:

Postar um comentário