Marcus Vinícius de
Moraes, filho de Lydia Cruz de Moraes e Clodoaldo
Pereira de Moraes, aos nove anos foi registrado como Vinicius de Moraes.
Nasceu na Gávea, no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913. Poeta, dramaturgo,
jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro. Poeta essencialmente
lírico, daí o apelido "poetinha", dado por Tom Jobim. Aos 24 anos formou um conjunto musical. Aos 26, tornou-se bacharel
em Letras pelo Colégio Santo Inácio. Em 1933 se forma em Direito, ano da publicação
de seu primeiro livro “O Caminho para a Distância”. “A Transfiguração da Montanha”, foi publicada na
revista A Ordem. Em 1935 por “Forma e Exegese”, ganha prêmio, aprovação da
crítica e elogios de Manuel Bandeira.
Em
Lisboa em 1939 compõe “Soneto de Fidelidade”, publicado em 1946:
De
tudo, ao meu amor serei atento antes
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero
vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E
assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu
possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
No
retorno ao país, passa a ser crítico cinematográfico no jornal A Manhã. É
aprovado em concurso para a carreira diplomática, mas, mantém um suplemento literário
no O Jornal, até assumir o posto de vice-cônsul em Los Angeles, onde permanece por cinco anos. Lá encontrou artistas
brasileiros, Carmem Miranda, o crítico cinematográfico Alex Vianny, e o poeta João
Cabral de Melo Neto, que contribuiu para a publicação do poema “Pátria”,
além de Pablo Neruda, Di Cavalcanti, e Orson Welles, que o inspira a fazer um
curso de cinema. No retorno ao Brasil, no jornal Última Hora, faz crítica
cinematográfica, e crônicas. Termina a sua antologia poética, “A Noite”, ajudado
por Manuel Bandeira na organização.
Durante
a segunda fase do modernismo (1930-1945), com a poesia de questionamento e de
inquietação social, surgiu o grupo chamado “geração de 30” (Murilo Mendes,
Jorge de Lima, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Vinicius de
Moraes, que se destaca com suas poesias eróticas e de amor.
No teatro, “Orfeu
da Conceição” (1954), que adaptou da obra grega ao
cotidiano carioca, venceu o concurso do IV Centenário de São Paulo, sendo exibida
em Paris, para torna-se depois o filme “Orfeu Negro”.
Em
parceria com Tom Jobim, com interpretação de João Gilberto, o disco “Chega de
Saudade”, inova com a Bossa Nova, um dos
movimentos mais importantes da história da cultura brasileira.
Com o
regime militar, atuou em trabalhos administrativos do Itamaraty no Uruguai, e ao
retornar, passou a colaborar com a revista Fatos e Fotos.
Vinicius,
é transferido pelo Itamaraty para Ouro Preto em 1967, e lá organiza um festival
de arte, mas, no ano seguinte, com o Ato Institucional n.º 5 em vigor, lê o
poema “Pátria Minha”, na ocasião de shows em Portugal, sendo exonerado das
funções, passou a viver de shows e produção cultural.
Em
1970, escreveu e ajudou a musicar um disco para crianças, e a música "O
Pato" é a mais conhecida:
Lá
vem o pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o pato
Para ver o que é que há.
O pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o pato
Para ver o que é que há.
O pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.
Com o
parceiro Toquinho, lança “São Demais os Perigos dessa Vida” e “Eu Sei que Vou
te Amar” e produzem a trilha sonora de novelas da TV.
Em
parceira com Edu Lobo vence o
Festival Nacional da Música Popular Brasileira da TV Excelsior, com “Arrastão”
dando início a um novo ciclo musical, a MPB.
Em
1980 lança seu último disco, “Um Pouco de Ilusão”:
Vinícius
casou-se nove vezes e em 9 de julho de 1980, vítima de edema pulmonar, subiu para
o andar de cima, deixando uma extensa obra.
Poesia
e prosa:
O
Caminho Para a Distância (1933)
Forma
e Exegese (1935)
Ariana,
a Mulher (1936)
Novos
Poemas (1938)
Cinco
Elegias (1943)
Poemas,
Sonetos e Baladas (1946)
Pátria
Minha (1949)
Antologia
Poética (1955)
Livro
de Sonetos (1956)
O
Amor dos Homens (1960)
Para
Viver Um Grande Amor (1962)
O
Mergulhador (1965)
Para
Uma Menina Com Uma Flor (1966)
A
Arca de Noé (1970)
Teatro:
Orfeu
da Conceição (1954)
Cordélia
e o Peregrino (1965)
Pobre
Menina Rica (1962)
Prosa:
O
Amor dos Homens (1960)
Para
Viver Um Grande Amor (1962)
Para
Uma Menina Com Uma Flor (1966)
Algumas de suas Frases:
“Eu
talvez não tenha muitos amigos, mas os que eu tenho são os melhores que alguém
poderia ter.”
“Se o cachorro é o melhor amigo do homem,
então uísque é o cachorro líquido.”
“Se o
amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval.”
“A
vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros nesta vida.”
“A
vida é a espera da morte. Faça da vida um bom passaporte.”
“Bom
dia amigo. Que a paz seja contigo. Eu vim somente dizer. Que eu te amo tanto.
Que vou morrer Amigo...adeus”
“Eu
poderia, embora não sem dor, perder todos os meus amores, mas morreria se
perdesse todos os meus amigos.”
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