terça-feira, 17 de setembro de 2019

Vinícius de Moraes


Marcus Vinícius de Moraes, filho de Lydia Cruz de Moraes e Clodoaldo Pereira de Moraes, aos nove anos foi registrado como Vinicius de Moraes. 

Nasceu na Gávea, no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913. Poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro. Poeta essencialmente lírico, daí o apelido "poetinha", dado por Tom Jobim. Aos 24 anos formou um conjunto musical. Aos 26, tornou-se bacharel em Letras pelo Colégio Santo Inácio. Em 1933 se forma em Direito, ano da publicação de seu primeiro livro “O Caminho para a Distância”.  “A Transfiguração da Montanha”, foi publicada na revista A Ordem. Em 1935 por “Forma e Exegese”, ganha prêmio, aprovação da crítica e elogios de Manuel Bandeira.
Em Lisboa em 1939 compõe “Soneto de Fidelidade”, publicado em 1946:
De tudo, ao meu amor serei atento antes
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
No retorno ao país, passa a ser crítico cinematográfico no jornal A Manhã. É aprovado em concurso para a carreira diplomática, mas, mantém um suplemento literário no O Jornal, até assumir o posto de vice-cônsul em Los Angeles, onde  permanece por cinco anos. Lá encontrou artistas brasileiros, Carmem Miranda, o crítico cinematográfico Alex Vianny, e o poeta João Cabral de Melo Neto, que contribuiu para a publicação do poema “Pátria”, além de Pablo Neruda, Di Cavalcanti, e Orson Welles, que o inspira a fazer um curso de cinema. No retorno ao Brasil, no jornal Última Hora, faz crítica cinematográfica, e crônicas. Termina a sua antologia poética, “A Noite”, ajudado por Manuel Bandeira na organização.
Durante a segunda fase do modernismo (1930-1945), com a poesia de questionamento e de inquietação social, surgiu o grupo chamado “geração de 30” (Murilo Mendes, Jorge de Lima, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Vinicius de Moraes, que se destaca com suas poesias eróticas e de amor.
No teatro, “Orfeu da Conceição” (1954), que adaptou da obra grega ao cotidiano carioca, venceu o concurso do IV Centenário de São Paulo, sendo exibida em Paris, para torna-se depois o filme “Orfeu Negro”.
Em parceria com Tom Jobim, com interpretação de João Gilberto, o disco “Chega de Saudade”, inova com a Bossa Nova, um dos movimentos mais importantes da história da cultura brasileira.
Com o regime militar, atuou em trabalhos administrativos do Itamaraty no Uruguai, e ao retornar, passou a colaborar com a revista Fatos e Fotos.
Vinicius, é transferido pelo Itamaraty para Ouro Preto em 1967, e lá organiza um festival de arte, mas, no ano seguinte, com o Ato Institucional n.º 5 em vigor, lê o poema “Pátria Minha”, na ocasião de shows em Portugal, sendo exonerado das funções, passou a viver de shows e produção cultural.
Em 1970, escreveu e ajudou a musicar um disco para crianças, e a música "O Pato" é a mais conhecida:
Lá vem o pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o pato
Para ver o que é que há.
O pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.
Com o parceiro Toquinho, lança “São Demais os Perigos dessa Vida” e “Eu Sei que Vou te Amar” e produzem a trilha sonora de novelas da TV.
Em parceira com Edu Lobo vence o Festival Nacional da Música Popular Brasileira da TV Excelsior, com “Arrastão” dando início a um novo ciclo musical, a MPB.
Em 1980 lança seu último disco, “Um Pouco de Ilusão”:
Vinícius casou-se nove vezes e em 9 de julho de 1980, vítima de edema pulmonar, subiu para o andar de cima, deixando uma extensa obra.
Poesia e prosa:
O Caminho Para a Distância (1933)
Forma e Exegese (1935)
Ariana, a Mulher (1936)
Novos Poemas (1938)
Cinco Elegias (1943)
Poemas, Sonetos e Baladas (1946)
Pátria Minha (1949)
Antologia Poética (1955)
Livro de Sonetos (1956)
O Amor dos Homens (1960)
Para Viver Um Grande Amor (1962)
O Mergulhador (1965)
Para Uma Menina Com Uma Flor (1966)
A Arca de Noé (1970)
Teatro:
Orfeu da Conceição (1954)
Cordélia e o Peregrino (1965)
Pobre Menina Rica (1962)
Prosa:
O Amor dos Homens (1960)
Para Viver Um Grande Amor (1962)
Para Uma Menina Com Uma Flor (1966)
Algumas de suas Frases:
“Eu talvez não tenha muitos amigos, mas os que eu tenho são os melhores que alguém poderia ter.”
 “Se o cachorro é o melhor amigo do homem, então uísque é o cachorro líquido.”
“Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval.”
“A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros nesta vida.”
“A vida é a espera da morte. Faça da vida um bom passaporte.”   
“Bom dia amigo. Que a paz seja contigo. Eu vim somente dizer. Que eu te amo tanto. Que vou morrer Amigo...adeus”
“Eu poderia, embora não sem dor, perder todos os meus amores, mas morreria se perdesse todos os meus amigos.”

     

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